
"Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras e as palavras de Gentileza
Por isso eu pergunto à você no mundo
Se é mais inteligente o livro ou a sabedoria
O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta..."
( Gentileza - Marisa Monte)

- Wellington!
-Bom dia Wellington, tudo bem?
-Tudo. Quem é?
-É a Renata, do 1° andar. Deixei um documento com você ontem e você ficou de me ligar depois que ele tivesse assinado. Já está? Posso buscar?
- Oi, Ah.. Só um minuto, por favor.
(alguns minutos se passam)
- Oi Renata, seu envelope foi enviado por malote.
-OK, muito obrigado!
Três dias se passam e eu começo a achar estranho, afinal ele fica três andares acima do meu. Não é possível um envelope demorar tanto pra chegar.
Ligo de novo.
-Wellington.
- Oi Wellington, bom dia! É a Renata,1° andar, lembra de mim?! Queria saber do meu documento que ainda não chegou.
-Um minuto, por favor.
- Oi Renata, então acho que seu documento foi por malote, mas vou verificar direitinho.
Estranhei a palavra “acho”, que não havia sido pronunciada antes.
-Tudo bem, você me liga, se estiver ai que pego, ok?
- OK.
Mais dois dias se passam, e o malote, com o meu documentozinho lindo não chega e o Wellington não me retorna.
-Wellington!
- Oi Wellington, boa tarde! É a Renata, gostaria de saber do meu documento!!
- Ah, oi Renata! Não sei do seu documento não. Ele não está aqui.
-ok, muito obrigado Wellington!
Ficaria muito indignada, se isso não fosse visto com freqüência.
Conformamos-nos, ou nos acostumamos a atender e a ser atendido assim.
Às vezes quando entro no ônibus e digo bom dia pro motorista, ele me olha meio desconfiado. Ás vezes quando vou tomar café na padaria à atendente não levanta o olhar. Ás vezes o Wellington não se preocupa com o meu documentozinho. Às vezes as secretarias atendem alguém e quando desligam danam a reclamar do serviço pedido.
Convenhamos, não gosto de acordar cedo, não gosto de pegar metrô lotado, também queria ganhar na loteria, inventar um jeito de ganhar dinheiro dormindo ou brincar de esconde-esconde com a minha sobrinha o dia inteiro. Mas infelizmente isso não é possível. Tenho que me preocupar as duas tarde de uma segunda-feira de verão com o meu documentozinho desaparecido.
E tenho que trabalhar. E tenho que ver gente o dia todo.
Por que então não fazer as coisas da melhor forma possível? Por que então não pegar um ônibus lotado de manhã dizendo bom dia ao motorista, falar sobre a rodada do brasileirão com alguém que sentou ao meu lado? Por que não oferecer um sorriso pra atendente da padaria? Por que não dar a mão ao deficiente visual e ajudá-lo a achar a saída do metrô e arrancar dele um sorriso falando sobre as “atrações da linha vermelha?”, por que não atender as pessoas que dependem de mim no trabalho como se eu estivesse atendendo um rock star?
Meu emprego é o dos sonhos? Não.
Meu salário é maravilhoso?Definitivamente, não!
As pessoas são todas legais e bem humoradas? Não.
Nunca acordei com um puta mau humor, ou mal estar, ou má vontade de trabalhar? Claro que já!
Viver é uma dor e uma alegria com tempo marcado pra acabar. É isso pra todo mundo.
É preciso encarar a rotina, conviver com pessoas, sentir que a vida não é um farto de 150 quilos. Às vezes até é. Mas pode se tornar mais leve, mais aceitável, mais gostosa.
Queria guardar todas as palavras de gentileza dentro de mim e solta-las por aí. Murmurá-las bem devagar nos ouvidos dos motoristas de ônibus, das atendentes das padarias, das secretárias, dos Joses, Marias, Antonios e Wellingtons que passam por mim todos os dias. No ônibus. Na padaria. No metrô.
Espero de 2011 um ano com mais leveza e gentileza em todos!
É, não é fácil conviver com "pessoas". Mas são coisas que acontecem com todos. O que não podeos é nos acostumar com isso, ai sim seria algo a se pensar.
ResponderExcluirEsse cada um por sí que anda tomando conta do mundo é algo complicado que parece ter se tornado incontrolável.
ResponderExcluirSeria bem melhor sem sombra de dúvidas se todos nós acordassemos bem mesmo que de madrugada e saísse meio "singin' in the rain" distribuindo sorrisos e 'gentilezas'. Infelizmente não é assim, e se um dia isso aconteça ou pelo menos o número de pessoas que sofrem como qualquer outra, mas não se deixam abater pelas tristezas e raivas da vida, pelo menos o nosso meio de convivência se tornaria mais agradável.
Esse tipo de texto é bacana, faz a gente parar e refletir pra caramba e ainda buscar na memória os nossos momentos de desprezo com o próximo.
Obrigado de novo, Reh!
Só tenho que concordar com o texto.... e esperar (peraí, esperar não, fazer!) um ano novo mais leve e gentil....ótimo rexto Reh...
ResponderExcluirSe Welligtons e Alines fossem mais empenhados, sofreriamos menos!! rs
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